Diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE, José Mauro Coelho, concedeu entrevista à Agência Brasil

Brasil pode se tornar grande exportador de petróleo, diz executivo

Por Cristina Índio do Brasil - Repórter da Agência Brasil  Rio de Janeiro

O Brasil poderá ser um dos cinco maiores exportadores de petróleo em 2026. A expectativa do diretor de Estudos de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), José Mauro Ferreira Coelho, se baseia na combinação do crescimento da produção com a falta de expansão da área de refino no país.

Ele disse que o aumento da produção tem se repetido e a perspectiva é que prossiga neste ritmo nos próximos anos. Estudos da EPE indicam que, em 2026, o país vai atingir 5,2 milhões de barris de petróleo (óleo e gás) por dia, enquanto o parque de refino tem capacidade de processar cerca de 2,2 milhões de barris.

plataforma_de_petroleo.jpg

 Cálculos indicam que, em 2026, o Brasil pode atingir 5,2 milhões de barris de petróleo (óleo e gás) por dia (Divulgação/Petrobras)

“O que a gente vê no horizonte de dez anos é uma dificuldade em novos investimentos de refino e que nós estaremos exportando algo em torno de 3 milhões de barris de petróleo em 2026. Além de ser um grande produtor, que já é muito importante, nós seremos um grande exportador, exportando 3 milhões de barris de petróleo por dia. Isso fará com que o Brasil esteja entre os cinco maiores exportadores de petróleo do mundo. Muito possivelmente estaremos atrás apenas, em nível de exportação, da Arábia Saudita, Rússia, Iraque e Canadá”, disse em entrevista à Agência Brasil.

Atualmente, o Brasil faz parte da lista dos dez países maiores produtores de petróleo. De acordo com números Agência Internacional de Energia (International Energy Agency, em inglês), com a produção média diária, em 2017, de 3,2 milhões de barris petróleo (petróleo e gás natural em óleo equivalente, o que se chama de barril de óleo equivalente - boe), além de entrar para o grupo e ocupar o nono lugar, o Brasil ultrapassou o Kuwait, um dos integrantes da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). O Kuwait registrou em 2017 a produção de 3,1 milhões de barris.


Aumento da participação

“Sem dúvida, o Brasil vai ter ainda uma participação bem maior neste mundo do petróleo do que a que ele tem atualmente e do que está sendo projetado pela Agência Internacional de Energia para 2018. Pode subir mais no ranking”, afirmou o diretor da EPE.

Com este ranking, o Brasil começa a ter uma importância relevante na geopolítica mundial do petróleo. “É claro que isso impacta o mercado internacional de petróleo e, consequentemente, impacta o preço do barril de petróleo. Então, dentro dos países produtores, o Brasil começa a ter uma importância maior no jogo do petróleo no mundo, do preço do petróleo no mundo e também nessa balança entre oferta e demanda de petróleo”, afirmou.

O executivo destacou, no entanto, que, como não faz parte da Opep, o Brasil não precisa se submeter aos limites adotados por integrantes deste grupo. “Eles impõem aos associados limites de cotas de exportação. Como o Brasil não faz parte dessa associação, ele não tem nenhum limite de cota de exportação estabelecido. O Brasil não tem que conversar com ninguém sobre a sua produção de petróleo ou a sua exportação de petróleo, o que pensa em produzir ou exportar”, completou.

Relevância

Para José Mauro, a relevância do Brasil no mercado mundial de petróleo vai subir quando o país passar a ser um dos cinco maiores exportadores. Para ele, efetivamente, o que mexe com o mercado internacional de petróleo não é a quantidade de produção, mas a capacidade do país em botar petróleo no mundo para vendido.

“Não adianta ser um grande produtor e ser também um grande consumidor. Aí, eu não coloco petróleo no mundo para ser comercializado, mas quando sou um grande exportador, passo a ter influência significativa no mercado de petróleo, influenciando, inclusive, os preços de petróleo”, observou.

Apesar de dizer que cabe ao governo federal a avaliação cuidadosa do interesse do Brasil de integrar a Opep, ele não vê, neste momento, uma necessidade de o país entrar para o grupo. “Isso tem que ser avaliado com calma em nível ministerial”.

Investimentos

Segundo o diretor, o menor risco na exploração da área do pré-sal atrai maior número de empresas para investimentos em projetos na região, o que contribui para o aumento da produção brasileira.

“Essas reservas do pré-sal, além de serem de baixo risco exploratório, são áreas de grandes volumes. Na verdade, isso aumenta muito a atratividade das empresas internacionais em investir no Brasil na área de exploração e produção. Outro fator é a segurança jurídica e regulatória que existe no Brasil, diferente de outros países produtores de petróleo”, afirmou, acrescentando, que o cronograma de leilões de blocos exploratórios mantidos pelo governo federal também favorece ao ambiente de investimentos.

“Acho que isso também dá um sinal positivo para as empresas que atuam no setor de que o Brasil tem uma previsibilidade em relação a esta atividade de produção de petróleo e gás natural no país. Isso acaba mobilizando não só a Petrobras, mas também outras empresas internacionais”, disse.

Importação de derivados

Mesmo com perspectivas positivas, o diretor alertou para a necessidade de o país investir mais em parques de refino para reduzir a importação de derivados, como GLP, nafta, óleo diesel, querosene de aviação e gasolina.

Segundo a EPE, em 2017 foram 547 mil barris/dia. Nos quatro anos anteriores, somente nos anos de recessão 2015 (362 mil barris/dia) e 2016 (430 mil barris/dia) houve um patamar menor. Em 2013, foram 439 mil barris/dia e, em 2014, 442 mil barris.

Nos quatro primeiros meses de 2018, foram importados 179 mil barris/dia de derivados. Pelos cálculos da EPE, o ano deve fechar com importações de aproximadamente 535 mil barris/dia.

“Nós temos um parque de refino que não é capaz de processar todo o petróleo que produzimos. Deveríamos ter mais investimentos em refino no Brasil para que pudéssemos abastecer o mercado nacional de derivados sem a necessidade de importação”, indicou.

O diretor observou, ainda, que nos próximos dez anos a importação de derivados pode alcançar 800 mil barris/dia, especialmente, óleo diesel. A perspectiva representa um desafio para a necessidade de captar investimentos em refino.

De acordo com o executivo, hoje 98% do parque de nacional são da Petrobras, que está priorizando os investimentos na área de exploração e produção de petróleo onde tem retorno maior, mas novos estudos estão sendo feitos para aumentar os investimentos em refino. 

Clique aqui para acessar a matéria em sua fonte.


Notícias Relacionadas

Aprovação da Política de Integridade da EPE

12/12/2018 - O Conselho de Administração da EPE aprovou no dia 30 de outubro de 2018 a Política de Integridade da Empresa, por meio da DCA nº 02/168ª. A Política de Integridade firma a compreensão, conceito e diretrizes do exercício moral e ético de todos na empresa. A Política de Integridade, a partir do compromisso assumido de todos, reforça o modus operandis de uma empresa forte, solidária e dinâmica. Trata-se do propósito de sermos a melhor referência no ato de subsídio ao planejamento energético do país, o que acaba por reforçar o nosso papel estratégico de empresa de Estado.

EPE publica estudos de levantamento de dados de eficiência energética na indústria brasileira

12/12/2018 - No sentido de fortalecer a disponibilidade dados primários para o planejamento de ações de promoção de eficiência energética, a EPE publica os resultados de estudo de levantamento de dados sobre diversos setores industriais. Trata-se de estudo denominado “Análise da Eficiência Energética em Segmentos Industriais Selecionados”, que se insere no âmbito do Projeto META (Projeto de Assistência Técnica dos Setores de Energia e Mineral), com financiamento do Banco Mundial. A execução foi descentralizada do MME para EPE.

EPE e Rosatom promovem reunião sobre reatores nucleares modulares

11/12/2018 - Foi realizada na EPE neste dia 10 de dezembro, das 10:00 às 12:00, reunião técnica “Perspectivas Tecnológicas de SMR (Small Modular Reactor)”. O tema foi a tecnologia dos reatores nucleares modulares, conhecidos também como SMR. A reunião se insere no âmbito dos estudos de planejamento energético de médio e longo prazo, tais como o Plano Nacional de Energia 2050. O presidente da EPE, Reive Barros, abriu e participou da reunião. A reunião teve apoio e participação da empresa russa Rosatom, cujo Presidente para a América Latina, Ivan Dybov, também esteve presente.

Personalidades do setor energético brasileiro foram homenageadas no Oscar da Energia

10/12/2018 - Terceira edição do 100 Mais Influentes da Energia aconteceu na noite de quinta-feira (06/12) na capital paulista, com presença de autoridades do setor.Um evento setorial para fechar com chave de ouro o ano de 2018. Na noite da última quinta-feira (6 de dezembro), no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo (SP), mais de 350 pessoas prestigiaram o “100 Mais Influentes da Energia”, que homenageou cem personalidades de vários segmentos do setor energético brasileiro.

CEM Days - Integração de Renováveis no Setor Elétrico: Caminhos e Desafios para o Planejamento Energético"

06/12/2018 - Nos dias 21 a 23 de novembro aconteceu no Rio de Janeiro o “CEM Days - Integração de Renováveis no Setor Elétrico: Caminhos e Desafios para o Planejamento Energético”. O evento, organizado pela EPE, aproveitou a sinergia internacional proporcionada pela Clean Energy Ministerial (CEM), fórum global em nível de governo que visa promover políticas e programas para a adoção de tecnologias de energias limpas, compartilhamento de lições aprendidas e melhores práticas e encorajamento para a transição para uma economia global de baixo carbono.