Estudo sobre a Economicidade do Aproveitamento dos Resíduos Sólidos Urbanos em Aterro para Produção de Biometano

No ano de 2014, a EPE publicou conjunto de estudos sobre aproveitamento energético de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU). As notas técnicas DEA 16/14 e 18/14 intituladas respectivamente “Economicidade e Competitividade do Aproveitamento Energético dos Resíduos Sólidos Urbanos” e “Inventário Energético dos Resíduos Sólidos Urbanos” buscaram analisar as possibilidades de aproveitamento energético dos resíduos sólidos urbanos. Na ocasião, as rotas tecnológicas consideradas para quantificação foram a incineração e a produção de biogás em biodigestores anaeróbios.

Na época de realização destes estudos, não havia ainda regulamentação para especificação e qualidade do biometano oriundo de aterros sanitários e estações de tratamento de esgoto para uso veicular e injeção na rede de gás canalizado . Desta forma, nos estudos realizados pela EPE até então, não tinha sido avaliado a economicidade destas opções tecnológicas.  Entretanto, em 29 de junho de 2017, a ANP publicou a resolução de nº 685/2017 para tratar o tema, o que possibilita novos modelos de negócios para aterros sanitários no Brasil. 

Os mercados de gás natural canalizado e GNV podem ser atendidos por biometano de aterro em substituição ao gás natural de origem fóssil. Quanto aos mercados a serem atendidos, dois pontos merecem destaque: (i) para o mercado de gás natural canalizado, verifica-se que os preços do gás natural ofertado às distribuidoras podem variar entre R$ 0,91/m³ e R$ 1,12/m³; (ii) quanto à utilização do biometano como combustível veicular, o energético concorre com combustíveis tradicionais como a gasolina e o diesel, derivados de fósseis com parcela importada. Para quaisquer mercados, cabe ressaltar que o biometano dispõe de atributos ambientais locais e globais que o distingue dos seus concorrentes de origem fóssil.

Assim, tendo em vista o potencial de utilização do biometano e as novas possibilidades de modelos de negócios, objetivou-se neste estudo avaliar economicidade de empreendimentos de produção de biometano a partir de biogás de aterro. Além disso, o estudo buscou sistematizar referências internacionais sobre o tema para reduzir assimetrias de informação neste nicho de mercado, fomentando o debate. Como resultado das simulações realizadas, identificou-se a faixa de valores entre R$ 1,04/m³ e R$ 1,85/m³ para o preço do biometano. Os valores apresentados refletem uma metodologia baseada em custos e a amplitude das faixas decorre de diferentes taxas internas de retorno bem como da escala dos empreendimentos simulados.

O estudo pode ser acessado nesse link.


[1] Neste ponto vale destacar a promulgação da lei estadual do Rio de Janeiro 6.361/2012 que instituiu a política estadual de Gás Natural Renovável em que obriga as concessionárias de Gás a comprarem até 10% do seu mercado (excluído o mercado termoelétrico).


Notícias Relacionadas

EPE disponibiliza Informe Técnico sobre Custo de Combustível e Preços de Referência dos Combustíveis para as Soluções de Suprimento no Produto “Potência"

14/02/2019 - A Empresa de Pesquisa Energética disponibiliza o Informe Técnico que visa a fornecer os elementos para a formulação do Custo do Combustível e dos Preços de Referência dos combustíveis para as usinas termelétricas participantes do leilão para suprimento a Boa Vista e Localidades Conectadas, conforme Portarias do Ministério de Minas e Energia nº 512, de 21 de dezembro de 2019 e nº 58/GM, de 23 de janeiro de 2019.

EPE participa pela primeira vez do evento Campus Party

14/02/2019 - Pela primeira vez, a Empresa de Pesquisa Energética foi convidada a participar do evento Campus Party, um dos principais eventos de tecnologia do cenário. A EPE, representada pela Assessora de Comunicação Social, Maura Xerfan e pela Analista de Pesquisa Energética, Natalia Moraes, participará do evento com o projeto ABCDEnergia; projeto esse voltado para o público jovem, onde são abordados assuntos do cenário energético de forma lúdica e educativa.

País precisa diversificar fontes de energia sem gerar ineficiências

13/02/2019 - País precisa diversificar fontes de energia sem gerar ineficiências Responsável pela coordenação dos estudos que subsidiarão o pla- nejamento energético do governo de Jair Bolsonaro, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Thiago Barral, vê com bons olhos o avanço da energia eólica e solar e a diversificação dos recur- sos energéticos brasileiros. Ele en- tende, no entanto, que há necessi- dade de aperfeiçoamento do mo- delo de avaliação da segurança energética do país em relação ao novo cenário e que a solução deve ter razoabilidade econômica, para não onerar consumidores nem prejudicar investidores

EPE participa da solenidade de assinatura do Protocolo de Intenções entre Porto Central e Porto de Pecém

06/02/2019 - O diretor de Estudos do Petróleo Gás e Biocombustíveis, José Mauro Coelho, acompanhado de seu assessor, Alexandre Cobbett, representando a EPE e o secretário de Petróleo Gás e Biocombustíveis do MME, Márcio Félix, participou e discursou na solenidade de Assinatura do Protocolo de Intenções entre Porto Central, situado no Espírito Santo, na sede da FINDES, Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo

Thiago Vasconcellos Barral Ferreira é o novo Presidente da EPE

04/02/2019 - Aos 35 anos, Thiago Vasconcellos Barral Ferreira é o novo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A nomeação ocorreu na sexta-feira (01/02), por despacho da secretaria-geral e hoje (04/02) foi publicado no Diário Oficial da União (DOU).