Publicado em 21 de setembro de 2026
No dia 16 de setembro, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) visitou o Maravalley, hub de inovação no Rio de Janeiro, para participar do TechGrid 2026, evento que reúne lideranças dos setores de tecnologia, energia, infraestrutura digital, inovação e investimento para discutir o avanço da inteligência artificial no Brasil.
O presidente da EPE, Thiago Prado, foi convidado a falar sobre o tema “Energia, conectividade e data centers — a base física da IA em escala" em painel com representantes dos setores de energia, data centers e telecomunicações.
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Foto: Axia Energia
Ao longo do evento, papel basilar da energia para o ecossistema em desenvolvimento da inteligência artificial foi destacado por diferentes especialistas. À medida que a IA ganha escala, tornam-se mais evidentes as camadas sobre as quais funcionam suas aplicações e modelos: infraestrutura de data centers, capacidade computacional (chips) e energia.
No que se refere ao setor energético, a conexão de cargas eletrointensivas como os data centers de IA requer a expansão da malha de transmissão, que é planejada com base em estudos de viabilidade técnico-econômica e socioambiental, em diálogo com os órgãos como o Ibama, de modo que se antecipem os pontos críticos das obras recomendadas. Para o presidente da EPE, “tudo isso facilita".
Por outro lado, persiste o desafio do tempo de implantação de novas linhas e subestações. “Como podemos avançar? Antecipando e coordenando", afirma Thiago Prado.
Ao analisar o mercado, a EPE considera não apenas o número de pedidos de conexão, que podem ser redundantes, mas avalia o grau de maturidade dos projetos pretendidos e compara as projeções internas ao ritmo de instalação no mundo, com base em estudos internacionais.
Por meio do Portal de Coleta de Dados de Data Centers, a EPE oferece acordos de confidencialidade para receber informações sobre os projetos que sejam mais aderentes à realidade. O objetivo é “entender melhor o que é carga de refrigeração, de computação, e fisicamente como esses data centers vão se instalar, para também pensarmos no arranjo físico que vamos levar de infraestrutura", explicou Prado. “A partir disso, temos começado a ser mais prospectivos."
Como aspectos importantes para a inserção das grandes cargas, o presidente da EPE também enumerou a oferta de energia, prevista nos cenários do Plano Nacional de Energia (PNE) 2055, a previsibilidade, endereçada pelas temporadas de acesso do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), e a flexibilidade, que pode ser uma forma de reduzir custos para o consumidor.
“A flexibilidade tem várias possibilidades. Esses data centers podem gerar on-site, utilizar baterias, ofertar um recurso de resposta à demanda", exemplificou.