Publicado em 11/8/2026 e atualizado em 14/8/2026
Em 11 de agosto, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou a Análise de Conjuntura dos Biocombustíveis – Ano Base 2025, Nota Técnica que sintetiza os principais acontecimentos, tendências e indicadores que marcaram o mercado de combustíveis renováveis no Brasil ao longo de 2025. A publicação busca apoiar o planejamento energético e ampliar a compreensão dos fatores que influenciam o desempenho do setor de biocombustíveis.
O documento reúne análises sobre a produção, consumo e competitividade do etanol, biodiesel, bioeletricidade e biogás, além de abordar o cenário internacional dos biocombustíveis e as principais políticas públicas. Também destaca temas estratégicos para a transição energética brasileira, como os Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF) e o diesel verde, avaliando oportunidades e desafios para a expansão dessas tecnologias.
Além de consolidar dados e fatos relevantes do ano-base, a publicação oferece uma visão prospectiva sobre o papel dos biocombustíveis na descarbonização da matriz energética, na redução das emissões de gases de efeito estufa e no desenvolvimento sustentável do país. Trata-se de uma referência para formuladores de políticas públicas, agentes do mercado, investidores, pesquisadores e demais interessados na evolução do setor energético brasileiro.
Evento de lançamento
No evento de lançamento da Nota Técnica, realizado em 10 de agosto no escritório-central da EPE no Rio de Janeiro e transmitido pelo YouTube, a Superintendente de Derivados de Petróleo e Biocombustíveis da EPE, Angela Costa, destacou que a publicação é fruto de uma construção coletiva e participativa dentro da EPE e da “interação muito profícua” com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O MME esteve representado no evento pelo Secretário Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Renato Dutra, para quem a Nota Técnica manteve sua importância ao longo de 17 edições por ser um documento de referência para dados e análises sobre o setor, permitir monitorar e acompanhar a evolução da política pública e da regulação, além de ser transversal, trazendo elementos de análise ambiental, análise econômica, tendências de mercado e inovação tecnológica.
Encerrando a abertura, o Superintendente de Distribuição e Logística da ANP, Diogo Valério, enfatizou a importância da informação de qualidade para a regulação do setor. “Nosso interesse é que as políticas públicas sejam cumpridas, incentivos adequados sejam dados e que haja mais investimento e sustentabilidade para o nosso país”, pontuou.
Resultados do estudo
Os analistas Paula Barbosa e Rafael Lavrador apresentaram alguns dos resultados do estudo, abordando os principais acontecimentos do período, inclusive a evolução da oferta e da demanda e as contribuições dos biocombustíveis para a transição energética brasileira. Entre os tópicos mencionados, destacam-se:
A expansão da oferta de etanol, principalmente de milho, refletindo a confiança dos agentes no crescimento do mercado de biocombustíveis.
A evolução do consumo de combustíveis de veículos leves do ciclo Otto (carros e motocicletas) e o posicionamento do Brasil no mercado internacional de etanol.
A importância da bioeletricidade para o sistema elétrico nacional e sua contribuição complementar às demais fontes renováveis.
O crescimento do biogás e do biometano, cuja oferta energética aumentou quase 40 vezes entre 2010 e 2025 como resultado de políticas públicas e regulatórias.
Inovações e perspectivas de avanços políticos e regulatórios e de investimentos.
Quantidade de emissões de gases do efeito estufa evitadas pelos biocombustíveis.
Artigo sobre biometano
Em seguida, os analistas Luciano Basto e Amyr Crissaff apresentaram o artigo “Biometano: quais as principais oportunidades?” que fecha a publicação, destacando o crescimento do setor e sua relação com a economia circular, com o reaproveitamento de resíduos agropecuários e urbanos, valorização por meio de instrumentos de certificação, inclusão social e cocção limpa.
Convidado a comentar o estudo, Ildo Sauer, professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE USP), ressaltou a importância da sistematização do conhecimento feita pela EPE para subsidiar não apenas políticas públicas, mas também a organização do mercado, além de apresentar uma experiência concreta da USP em geração de energia e produção de fertilizantes a partir de resíduos orgânicos, encerrando sua participação com reflexões sobre o setor de combustíveis à luz da nova publicação.
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