Publicado em 13 de outubro de 2026
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publica o Informe Técnico “Iluminação Pública como Vetor de Transformação Digital e Eficiência Energética nas Cidades”, que apresenta um panorama do setor no Brasil e propõe caminhos para ampliar a eficiência, a qualidade dos serviços e a integração da iluminação pública ao planejamento urbano e energético.
Desenvolvido pela EPE em parceria com o Ministério das Cidades (MCid), o estudo contou com a colaboração das principais instituições que participam deste ecossistema: Ministério de Minas e Energia (MME), Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), Centro Paulista de Estudos da Transição Energética da Universidade Estadual de Campinas (CEPIL/Unicamp), Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República (PPI), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e Associação Brasileira de Iluminação Pública (ABCIP).
A publicação evidencia que a iluminação pública ultrapassa sua função tradicional de iluminar ruas e espaços coletivos. Com a modernização dos parques, a adoção de tecnologias mais eficientes e a implantação de sistemas de telegestão, essa infraestrutura pode contribuir para a transformação digital das cidades, apoiar serviços urbanos, melhorar a gestão dos ativos municipais e gerar benefícios para a mobilidade, a segurança viária, o meio ambiente e a qualidade de vida da população.
Em 2024, a iluminação pública consumiu aproximadamente 13,3 mil GWh de eletricidade, o equivalente a cerca de 2,4% do consumo nacional. O serviço está presente em aproximadamente 94% das localidades brasileiras e pode representar entre 3% e 5% dos orçamentos municipais. Esses números evidenciam tanto a relevância do setor quanto o potencial de economia associado à substituição de equipamentos obsoletos, especialmente pela tecnologia LED, e ao aprimoramento da gestão dos sistemas.
O Informe também analisa os diferentes mecanismos disponíveis para viabilizar investimentos, incluindo recursos próprios dos municípios e da Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), parcerias público-privadas e concessões, consórcios públicos, contratos com empresas de serviços de conservação de energia, além de programas e linhas de financiamento como o Procel Reluz, o Programa de Eficiência Energética da ANEEL, o Pró-Cidades, o Fundo Clima e instrumentos operados pelo BNDES.
A modernização do setor ganhou novas possibilidades com a ampliação constitucional do uso da COSIP, que passou a abranger sistemas de monitoramento voltados à segurança e à preservação dos espaços públicos. Nesse contexto, os postes e as redes de iluminação podem funcionar como plataformas para a instalação de sensores e outros equipamentos urbanos, desde que sua utilização seja acompanhada por planejamento, interoperabilidade tecnológica, padrões abertos, segurança da informação e adequada governança dos dados.
Entre os temas abordados estão ainda a evolução das normas técnicas, o papel da telegestão; a definição de indicadores de desempenho e qualidade; a atuação do verificador independente nos contratos de concessão; e a necessidade de considerar as diferentes experiências de pedestres, ciclistas e condutores na avaliação dos serviços prestados.
Entre os principais passos propostos para o avanço do setor estão a construção de uma base nacional de iluminação pública consolidada, padronizada e continuamente atualizada; o desenvolvimento de uma estimativa nacional reproduzível do potencial de eficiência energética; a redução das desigualdades de acesso à modernização e à digitalização; e o aprofundamento dos estudos sobre os benefícios energéticos, climáticos e urbanos associados aos projetos.
Ao reunir informações técnicas, institucionais, regulatórias e financeiras, o Informe busca apoiar governos locais, gestores públicos, empresas e demais instituições envolvidas no planejamento e na modernização da iluminação pública. A publicação também reforça a necessidade de coordenação federativa e interinstitucional para que os ganhos de eficiência energética e transformação digital alcancem cidades de diferentes portes e regiões do país.
Acesse o Informe Técnico “Iluminação Pública como Vetor de Transformação Digital e Eficiência Energética nas Cidades” e conheça o estudo completo.
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