PDE 2036 projeta produção de 4,9 milhões de barris de petróleo por dia e destaca importância da reposição de reservas e de novas fronteiras exploratórias

Caderno de Produção de Petróleo e Gás Natural detalha perspectivas para a oferta nacional, analisa oportunidades de ampliação da produção e aborda os desafios econômicos e de descarbonização do setor

 

Publicado em 5 de novembro de 2026

O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicaram, nesta quinta-feira (5/11), o Caderno de Produção de Petróleo e Gás Natural do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036). O estudo projeta que a produção nacional de petróleo alcance 4,9 milhões de barris por dia em 2036, aproximadamente 30% acima do volume registrado em 2025. Para o gás natural, a produção bruta deverá atingir 308 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), crescimento de 72% em relação ao mesmo ano. Já a produção líquida, correspondente ao volume disponível após os descontos de consumo próprio, reinjeção, perdas e queima, deverá alcançar 135 milhões de m³/d, aumento de 125%.

Produção de petróleo mantém patamar próximo de 5 milhões de barris por dia

A produção nacional de petróleo deverá alcançar cerca de 5 milhões de barris por dia em 2028, impulsionada principalmente pela entrada em operação de novas unidades de produção no pré-sal. Após atingir esse patamar, a produção deverá permanecer próxima ao pico, alcançando 4,9 milhões de barris por dia em 2036.

O pré-sal continuará sendo a principal fonte de produção nacional, respondendo por 73% do total ao final do horizonte. Nesse contexto, a produção em águas profundas e ultraprofundas representará 94% do volume nacional em 2036. No ambiente terrestre (onshore), a produção deverá alcançar 153 mil barris por dia, equivalente a 3% do total nacional.

Produção de gás natural cresce e amplia a disponibilidade nacional

A produção bruta de gás natural deverá alcançar 308 milhões de m³/d em 2036, impulsionada principalmente pelas bacias de Santos, Campos, Sergipe-Alagoas e Parnaíba. O pré-sal continuará predominante, com participação de 76% da produção bruta ao final do período.

A produção líquida, por sua vez, deverá atingir 135 milhões de m³/d em 2036, com o pré-sal respondendo por cerca de 55% do total. Destaca-se também a produção terrestre, que deverá alcançar 26 milhões de m³/d, equivalente a 20% da oferta nacional.

Oportunidades podem ampliar a produção e a disponibilidade de gás

O caderno apresenta análises de sensibilidade sobre iniciativas capazes de ampliar a produção e o aproveitamento dos recursos nacionais. No gás natural, destaca-se a possibilidade de implantação de um Gas HUB no campo de Mero, na Bacia de Santos, permitindo processar e disponibilizar gás proveniente de unidades sem capacidade própria de separação de dióxido de carbono (CO₂), com potencial de exportação de 15 milhões de m³/d. 

Outra oportunidade está relacionada ao aumento do fator de recuperação dos campos. Cada incremento de 1 ponto percentual nesse indicador poderia adicionar cerca de 207 milhões de barris de óleo equivalente (boe) aos volumes recuperáveis nas bacias terrestres e aproximadamente 2,3 bilhões de boe nas áreas marítimas.

Na Bacia de Campos, a revitalização de campos maduros, os tiebacks, o aproveitamento da infraestrutura existente, a eletrificação de plataformas e a captura e armazenamento de carbono (CCS) podem contribuir para prolongar a vida produtiva dos ativos, melhorar sua competitividade e reduzir emissões.

Reposição de reservas e novas fronteiras exploratórias são fundamentais para sustentar a produção

As reservas provadas de petróleo poderão alcançar cerca de 23 bilhões de barris em 2036, com uma relação entre reservas e produção (R/P) de aproximadamente 13 anos. Para o gás natural, as reservas provadas poderão atingir cerca de 1 trilhão de m³, com relação R/P de aproximadamente 8 anos. A evolução desses indicadores reforça a importância da continuidade dos investimentos exploratórios, da realização de novas descobertas e da conversão de recursos potenciais em reservas.

Para sustentar a trajetória projetada, estima-se que os investimentos nas atividades de exploração e produção (E&P) no Brasil alcancem até R$ 2,4 trilhões no período de 2027 a 2036. Parte relevante desse montante será destinada à entrada em operação de 29 novas unidades estacionárias de produção (UEPs) ao longo do decênio, do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading), consideradas necessárias para sustentar as projeções de produção de petróleo e gás natural.

Outro aspecto relevante é o descomissionamento de instalações offshore, atividade que deverá mobilizar investimentos e serviços especializados, criando oportunidades para a indústria nacional, com inovação tecnológica, geração de empregos e qualificação de fornecedores.

A materialização da curva de produção projetada depende, portanto, da continuidade das campanhas exploratórias, da realização de novas descobertas, da contratação de novas áreas, da conversão de recursos em reservas, da entrada das unidades de produção previstas e da manutenção dos investimentos em E&P.

Consulta Pública do PDE 2036

A Consulta Pública do PDE 2036 está aberta até 6 de novembro de 2026. Interessados podem consultar os estudos e encaminhar contribuições para o aprimoramento do planejamento energético nacional. As contribuições podem ser enviadas pela página de Consultas Públicas do MME ou pela plataforma Brasil Participativo. 


O Caderno de Produção de Petróleo e Gás Natural e os demais materiais do plano podem ser acessados na página do PDE 2036 no site da EPE. 


Sobre o PDE

Elaborado anualmente pela EPE, sob diretrizes do MME, o Plano Decenal de Expansão de Energia é um dos principais instrumentos do planejamento energético nacional. Com caráter indicativo e horizonte de dez anos, o PDE apresenta, a partir de um Cenário de Referência, perspectivas para a evolução da oferta e da demanda de energia e serve de subsídio para as decisões de agentes públicos e privados.

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