Publicado em 14 de outubro de 2026
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) participou da primeira edição do Data Center World Brasil, realizada entre 6 e 8 de outubro em São Paulo. O evento reuniu líderes dos setores de data centers, infraestrutura digital, cloud computing e inteligência artificial para debater os principais desafios e oportunidades da transformação digital.
A EPE foi representada pelo Consultor Técnico Daniel José Tavares de Souza no painel “Expansão na Era da IA: Decisões que Definem Bilhões em Investimentos”.
Entre os principais debates esteve o papel estratégico da energia para a expansão da infraestrutura digital. Em sua participação, Daniel destacou que conectividade, profissionais qualificados e investimentos financeiros não são suficientes para viabilizar um projeto de Data Center sem a disponibilidade de energia e de margem de conexão. A transmissão e a geração de energia aparecem como pontos fundamentais para acompanhar o crescimento acelerado do setor.
O principal desafio apresentado pela EPE está na diferença entre os cronogramas de implantação. Um grande data center pode começar a operar em dois ou três anos. Já uma obra de transmissão exige pelo menos cinco anos de execução, considerando a complexidade de construção de linhas de transmissão e subestações, além dos processos de licenciamento ambiental. Quando são incluídos os estudos e o planejamento, o intervalo entre a decisão de expansão e a entrada em operação da infraestrutura pode alcançar sete anos. “Enquanto isso, os data centers estão entrando”, observou Daniel.
Apenas para o estado de São Paulo, já foram recomendados mais de R$ 7 bilhões de investimentos em obras de transmissão para viabilizar margem de conexão para cerca de 7 GW no total. Além de São Paulo, também foi recomendado pela EPE um montante de R$ 5,7 bilhões em obras de transmissão na região Nordeste, com o intuito de viabilizar margem de conexão de 4 GW para grandes cargas.
Por fim, foi reforçada a mensagem de que a EPE mantém a interlocução com grandes players de data centers e segue acompanhando os processos de acesso, como a PNAST, para identificar os locais de maior procura e avaliar a probabilidade de concretização dos empreendimentos, que são importantes insumos para os estudos realizados pela EPE.
