Publicado em 18 de setembro de 2026
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou nesta sexta-feira, 18, a Nota Técnica “Resposta da Demanda: Diagnóstico do Potencial e Recomendações para Desenvolvimento do Mercado", que estima o potencial desse recurso no Brasil e apresenta um conjunto de recomendações para o aprimoramento dos mecanismos de contratação.
O documento foi elaborado para atender ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que, em sua 323ª reunião, em 2 de setembro, deliberou pela continuidade e pelo aprimoramento dos mecanismos de Resposta da Demanda, com aperfeiçoamentos previstos já para 2027.
A Resposta da Demanda consiste na redução ou no deslocamento voluntário do consumo de energia elétrica pelos consumidores em resposta a sinais econômicos ou a solicitações do operador do sistema. Em um contexto de crescente inserção de renováveis variáveis, expansão da geração distribuída e maior variabilidade da carga líquida, o recurso oferece uma alternativa potencialmente mais rápida e econômica do que a contratação ou o despacho de geração adicional para atender às necessidades de potência e flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Rampas de redução e de retomada no evento de Resposta da Demanda.
Considerando apenas a indústria e a cogeração, a EPE estima um potencial de 8,8 GW no cenário de referência, em uma faixa de 5,9 GW a 13,1 GW entre os cenários conservador e otimista. Desse total, cerca de 4,1 GW estão em segmentos eletrointensivos como aço, alumínio, alumina, cimento, cloro, papel, ferroligas e data centers; o restante, na cogeração a partir de bagaço de cana, resíduos de madeira, biogás, gás de processo e papel e celulose.
O potencial equivale a algo entre 5,6% e 12,4% do recorde de demanda instantânea do SIN, patamar comparável ao dos mercados que já amadureceram esse recurso, como os norte-americanos, em que a Resposta da Demanda responde por 6,5% do pico nas RTOs e ISOs, chegando a 10,6% no MISO. Hoje, a capacidade contratada no Brasil corresponde a cerca de 0,3% do pico.
A conclusão central do estudo é que a distância em relação aos mercados maduros não decorre de escassez de potencial, mas, em boa medida, do desenho dos instrumentos de contratação.
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