Publicado em 2 de outubro de 2026
O Ministério de Minas e Energia (MME) publicou a edição de 2026 do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE), que faz história ao incorporar, à lista de obras, soluções tecnológicas inovadoras desenvolvidas a partir de estudos desenvolvidos pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Entre os destaques estão o Bipolo Nordeste II, que utilizará, pela primeira vez no Sistema Interligado Nacional (SIN), a tecnologia HVDC-VSC para a transmissão de grandes blocos de energia, e o sistema de armazenamento por baterias (BESS) da SE Cruzeiro do Sul, no Acre, com tecnologia
grid-forming, também uma aplicação inédita no planejamento da transmissão brasileira. As duas iniciativas refletem a atuação da EPE na antecipação dos desafios do sistema elétrico e na incorporação de novas tecnologias ao planejamento de longo prazo.
No caso do Bipolo Nordeste II, a EPE realizou um amplo estudo tecnológico para identificar alternativas para a expansão das interligações regionais, considerando diferentes tecnologias de transmissão e suas perspectivas de evolução. A solução HVDC-VSC recomendada permite explorar de forma mais eficiente os recursos do sistema, ampliando a flexibilidade para o gerenciamento dos fluxos de potência e contribuindo para a redução dos custos sistêmicos da operação, incluindo aqueles relacionados às restrições ao escoamento da geração renovável da região Nordeste. O aumento da capacidade de intercâmbio e a maior controlabilidade proporcionada pela tecnologia VSC também abrem espaço para a integração de novos recursos, como sistemas de armazenamento, e para o atendimento de cargas eletrointensivas, ao mesmo tempo em que aumenta a capacidade do SIN de responder a diferentes condições hidrológicas. Trata-se, assim, de uma solução que combina expansão da capacidade de transmissão com maior flexibilidade e resiliência para um sistema elétrico em transformação.
No caso da SE Cruzeiro do Sul, a EPE identificou no armazenamento de energia uma alternativa inovadora e de rápida implementação para aumentar a confiabilidade do suprimento do Acre, recomendando um BESS de 100 MW / 200 MWh com capacidade
grid-forming. A solução, com licitação prevista por meio do 1º leilão de transmissão 2027, amplia a flexibilidade operativa do sistema, estabelecendo uma referência inédita para a aplicação dessa tecnologia no planejamento da transmissão brasileira.
A inclusão dessas iniciativas no POTEE evidencia a importância do planejamento como indutor da inovação no setor elétrico. A partir de análises técnico-econômicas de longo prazo, a EPE identifica novas possibilidades tecnológicas, avalia sua aplicabilidade ao sistema brasileiro e transforma essas alternativas em recomendações concretas de expansão.
Com esses dois empreendimentos, o POTEE traduz em obras a inovação construída no planejamento da EPE, contribuindo para um sistema elétrico mais flexível, resiliente e preparado para os desafios da transição energética.
Quer saber mais sobre as obras mencionadas? Acesse em nosso site os estudos completos que indicaram essas soluções inovadoras.
Bipolo Nordeste II:
Análise Elétrica |
Análise Socioambiental
BESS Cruzeiro do Sul:
Análise Elétrica |
Análise Socioambiental
Você sabia?
O estudo que recomendou o Bipolo Nordeste II e obras associadas compõe um conjunto de estudos recentemente finalizados pela EPE com o intuito de aumentar a resiliência climática da rede de transmissão brasileira. Fazem parte desse conjunto outros estudos que abrangeram a região Norte e Sul do país. Na região Norte, destaca-se o “Estudo de Reforços para Resiliência no Sistema de Transmissão Acre e Rondônia em resposta às mudanças climáticas" com foco no atendimento local em caso de secas extremas, enquanto na região Sul cita-se a revisão do “Estudo de Atendimento à Região Metropolitana de Porto Alegre" em que a EPE promoveu revisões de traçados de linhas de transmissão e a reavaliação de áreas destinadas à implantação de subestações com o objetivo de diminuir os riscos associados a inundações, e o estudo “Atendimento à Região Sul do Rio Grande do Sul", focado no aumento da resiliência para a Região Sul, que tem sido atingida por desastres ambientais com frequência nos últimos anos.
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notícia completa sobre esses estudos.