Energia do Brasil: participação do etanol de milho cresce e ganha protagonismo no setor

​O grão respondeu por aproximadamente 20% do etanol fabricado no Brasil em 2024, número que representa um crescimento significativo quando comparado a períodos anteriores

Publicado em 23 de julho de 2025

A produção de etanol no Brasil está em constante transformação: o milho, matéria-prima que por muitos anos teve papel secundário nesse setor, tem ganhado cada vez mais espaço. Em 2024, aproximadamente 20% do etanol fabricado no país veio do grão, o que equivale a 7,55 bilhões de litros.

O dado consta no Balanço Energético Nacional (BEN) de 2025 e aponta um salto significativo em comparação com anos anteriores, quando a cana-de-açúcar dominava quase sozinha a produção.

Esse crescimento está diretamente ligado à expansão da segunda safra de milho — a chamada safrinha —, sobretudo no Centro-Oeste, onde as usinas mantêm operação durante todo o ano. Além do etanol, o processo produtivo gera subprodutos valorizados, como ração animal e óleo, o que amplia os benefícios econômicos para diferentes regiões do país.

Recentemente, o potencial da safrinha brasileira foi reconhecido pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), que passou a considerá-la como fonte importante para a produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês). O reconhecimento abre caminho para ampliar a oferta de SAF e inserir o Brasil com mais força no mercado global de soluções de baixo carbono para o setor aéreo.

A consolidação do etanol de milho também está alinhada às políticas públicas do Ministério de Minas e Energia (MME) para ampliar o uso de biocombustíveis no país. A evolução para o E30 — mistura com 30% de etanol na gasolina, que passa a vigorar em agosto deste ano — tem potencial para impulsionar ainda mais a demanda pelo produto e atrair investimentos que ultrapassam R$ 10 bilhões para a cadeia produtiva do biocombustível. Neste ano, a expectativa é que o etanol de milho alcance 23% de participação da produção total.

A ampliação do uso do etanol fortalece a transição energética brasileira, reduz a dependência de combustíveis fósseis e contribui para o cumprimento das metas climáticas. Por ser uma fonte renovável, o etanol ajuda a mitigar emissões de gases de efeito estufa e reforça a segurança energética do país diante das incertezas do mercado internacional. 

BEN

O Balanço Energético Nacional é publicado anualmente ao final do primeiro semestre, reunindo estatísticas referentes ao ano anterior. A publicação apresenta a contabilização relativa à oferta e ao consumo de energia no Brasil, contemplando as atividades de extração de recursos energéticos primários, a conversão em formas secundárias, importação e exportação, a distribuição e o uso final da energia.

Desde 2004, a responsabilidade pela elaboração e publicação do BEN é da Empresa de Pesquisa Energética, órgão técnico vinculado ao Ministério de Minas e Energia.

Acesse aqui o Relatório Final do Balanço Energético Nacional (BEN) 2025 (ano base 2024) e aqui o Relatório Síntese do BEN 2025 (ano base 2024).

Série Energia do Brasil

Com o objetivo de divulgar à população os principais destaques do Relatório Final do Balanço Energético Nacional (BEN), o MME lançou a série especial Energia do Brasil.

A produção traz conteúdos explicativos e infográficos que mostram, de forma clara e acessível, os avanços e desafios do setor energético brasileiro. Assim, o MME mostra como o país tem avançado na descarbonização da matriz energética, no uso de fontes renováveis na indústria e no setor residencial, na eletrificação do transporte, na diversificação dos biocombustíveis e na expansão das fontes solar e eólica na geração de eletricidade.

participacaoEtanolMilho-07-2025.jpg


Notícias Relacionadas

LRCAP Armazenamento 2026: EPE registra recorde de projetos cadastrados

03/08/2026 - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) concluiu o cadastramento dos empreendimentos interessados em participar dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência por meio de Sistemas de Armazenamento de Energia em Baterias (LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional e LRCAP de 2026 – Armazenamento). Ao todo, foram cadastrados 6.091 projetos, que somam 296.807 MW de potência, estabelecendo um recorde de participação para certames do setor elétrico brasileiro.

LRCAP Armazenamento 2026: extensão de prazo para envio de documentos

31/07/2026 - Devido ao volume excessivo de acessos ao sSistema de Acompanhamento de Empreendimentos Geradores de Energia (Sistema AEGE), o upload de documentos ficou indisponível por alguns momentos durante a manhã desta sexta-feira. O prazo de carregamento dos documentos dos projetos inscritos foi postergado até às 18h de hoje, 31 de julho de 2026.

EPE publica Estudo de Atendimento Elétrico à Região Sul de Roraima

30/07/2026 - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publica nesta quinta-feira, 30, um novo estudo que recomenda a expansão da rede de transmissão da região Sul de Roraima, proporcionando maior confiabilidade no atendimento às cargas locais. Dentre as obras recomendadas, destaca-se a futura subestação (SE) Novo Paraiso II 500/230/69 kV, que irá seccionar um dos circuitos da linha de transmissão (LT) 500 kV Equador – Boa Vista, evitando dessa forma impactos ambientais associados à implantação de novas linhas.

EPE publica notas técnicas de cálculo e revisão de garantia física do segundo trimestre de 2026

30/07/2026 - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publica, nesta quinta-feira, 30, as notas técnicas de cálculo e revisão referentes às garantias físicas definidas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) de abril a junho de 2026, com base nos cálculos e revisões realizados pela EPE, assim como a base de garantias físicas vigentes atualizada.

Geração Eólica Offshore: EPE publica a versão final da Metodologia para Seleção de Áreas para Oferta

28/07/2026 - Está disponível a versão final da Nota Técnica “Metodologia para Seleção de Áreas para Oferta para a Geração Eólica Offshore", produzida pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O documento incorpora as contribuições recebidas das instituições governamentais integrantes do Grupo de Trabalho de Eólicas Offshore e também da sociedade